VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA MULHERES NO RJ ATINGE MAIOR PATAMAR DA SÉRIE

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Violência sexual contra mulheres atinge maior nível da série histórica no RJ em 2025

O estado do Rio de Janeiro registrou, em 2025, o maior número de mulheres vítimas de violência sexual desde o início da série histórica. Foram 8.681 vítimas, ante 5.676 em 2015, o que representa crescimento de 52,9% em dez anos. Em relação a 2024, quando houve 8.339 registros, a alta foi de 4,1%.

Os dados mostram avanço em diferentes tipos de crime. Os casos de estupro passaram de 4.128 vítimas em 2015 para 5.068 em 2025, aumento de 22,8%. Já a importunação sexual teve crescimento mais acentuado: saiu de 610 para 2.723 vítimas no mesmo intervalo, variação de 346,4%.

Apesar da elevação, especialistas ressaltam que os registros oficiais não retratam necessariamente toda a extensão do problema. Parte dos casos não chega ao conhecimento das autoridades por causa de barreiras como medo, vergonha, dependência financeira, falta de apoio ou dificuldade de acesso aos canais de denúncia.

A professora de Direito Maíra Fernandes afirma que os números policiais reúnem apenas as ocorrências que conseguiram ultrapassar esses obstáculos e foram formalizadas. A subnotificação segue como um dos principais entraves para dimensionar e enfrentar a violência sexual.

O aumento das notificações também pode estar relacionado à ampliação da rede de acolhimento e denúncia. Delegacias especializadas, Ministério Público, Defensoria Pública, unidades de saúde, plataformas digitais e o Ligue 180 passaram a oferecer mais alternativas para mulheres em situação de violência.

Mudanças sociais também ajudam a explicar parte do crescimento dos registros. Com mais informação, mulheres passaram a reconhecer condutas antes naturalizadas como formas de agressão ou violação.

Especialistas destacam que a violência contra a mulher não se restringe a agressões físicas ou sexuais. Controle de rotina, humilhações, perseguição, isolamento, vigilância de redes sociais, restrição financeira e impedimento de trabalhar ou estudar podem indicar uma relação abusiva.

O ambiente virtual também aparece no levantamento. Em 2025, 19.224 meninas e mulheres foram vítimas de violência na internet. Entre as ocorrências estão perseguição, chantagem sexual, exposição de imagens íntimas sem autorização, manipulação de imagens e aliciamento.

A violência física contra mulheres também teve números elevados no estado. Ao longo de 2025, foram 43.309 vítimas, média de 118 casos por dia. Essa categoria inclui feminicídio, homicídio doloso, lesão corporal dolosa, tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio.

No mesmo ano, foram contabilizados 104 feminicídios. Desse total, 83,8% ocorreram dentro da residência da vítima, e 51,4% foram praticados por companheiros. Mais de 70% das mulheres assassinadas já tinham sofrido violência doméstica anteriormente, mas não haviam registrado denúncia formal.

A violência psicológica foi a modalidade com maior volume de notificações pelo quinto ano seguido. Em 2025, houve 59.743 vítimas, alta de 6,3% na comparação com o ano anterior.

Para especialistas, o fortalecimento da rede de proteção é essencial para interromper ciclos de violência. Os Centros Especializados de Atendimento à Mulher oferecem suporte psicológico, jurídico e social, além de encaminhamentos para outros serviços públicos. A orientação é que vítimas ou pessoas próximas busquem ajuda ao identificar sinais de risco.

A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em agosto, permanece como um dos principais instrumentos legais de enfrentamento à violência contra a mulher no país. A norma ampliou mecanismos de prevenção, proteção e assistência, além de reconhecer formas de violência doméstica como agressões psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.


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