CONFLITO ENTRE EUA E IRÃ PODE PRESSIONAR COMBUSTÍVEIS E ALIMENTOS NO BRASIL

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A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a preocupar os mercados internacionais e pode atingir o custo de vida no Brasil. O principal canal de impacto é o petróleo, cuja variação influencia combustíveis, fretes, alimentos e outros produtos presentes no consumo das famílias.

A atenção se concentra no Estreito de Ormuz, passagem considerada estratégica para o comércio global de energia. Pela rota circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos no mundo. Com novas restrições na região, o preço do Brent, referência no mercado internacional, voltou ao patamar de US$ 76 por barril.

No Brasil, uma alta persistente do petróleo pode pressionar a inflação. Em junho, o IPCA avançou 0,16%, resultado que indicou perda de força no ritmo de aumento dos preços. Esse cenário, porém, pode mudar se combustíveis e custos logísticos voltarem a subir.

A dependência do transporte rodoviário amplia o risco de repasse ao consumidor. Grande parte da distribuição de alimentos, remédios, combustíveis e mercadorias no país é feita por caminhões. Quando diesel e gasolina encarecem, o frete também fica mais caro, elevando despesas para produtores e empresas.

Os efeitos podem ir além dos postos. Alimentos, materiais de construção, vestuário, calçados, medicamentos, itens de higiene, eletrônicos, fertilizantes e produtos industriais podem ser impactados, seja pelo uso de derivados do petróleo na produção, seja pela necessidade de transporte até os pontos de venda.

Entre as possíveis respostas para conter pressões inflacionárias estão a manutenção de juros em patamar elevado, subsídios aos combustíveis e maior uso de biocombustíveis na composição da gasolina e do diesel. Essas medidas podem reduzir parte da dependência em relação ao petróleo importado.

O país também conta com uma matriz energética baseada em hidrelétricas, energia eólica, solar e biocombustíveis. Investimentos em etanol, biodiesel, veículos elétricos e hidrogênio verde são alternativas que podem diminuir a exposição brasileira a choques externos no mercado de petróleo.

Enquanto o quadro geopolítico segue indefinido, empresas e consumidores monitoram os preços internacionais. Se a crise avançar e houver restrição na oferta global de petróleo, os reflexos podem aparecer nas próximas semanas, tanto no abastecimento de veículos quanto nos valores cobrados nos supermercados.


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