Endividamento alcança 81,6% das famílias brasileiras em junho
O endividamento das famílias brasileiras ficou em 81,6% em junho, mesmo patamar observado em maio. O resultado interrompeu a trajetória de crescimento registrada nos meses anteriores e considera dívidas como cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, cheque especial e carnês.
A inadimplência também permaneceu estável. Em junho, 29,9% das famílias informaram ter contas vencidas, repetindo o índice do mês anterior. Já o grupo que declarou não ter condições de pagar os débitos em atraso caiu levemente, de 12,3% para 12,2%.
Embora o percentual de famílias endividadas continue elevado, alguns indicadores apontaram melhora no perfil das dívidas. A parcela dos que se dizem pouco endividados avançou de 33,3% para 34,2% entre maio e junho. No mesmo período, o grupo que se considera muito endividado teve pequena alta, de 17% para 17,2%.
O tempo médio de atraso no pagamento também diminuiu, chegando a 64,8 dias. Entre as famílias inadimplentes, 48,9% tinham débitos vencidos há mais de 90 dias, o menor nível registrado no ano. O comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,3%.
Outro dado mostra que 33,3% das famílias possuem financiamentos ou empréstimos com prazo superior a um ano. Esse tipo de contrato tende a diluir o pagamento ao longo do tempo, reduzindo o valor das parcelas mensais.
A renda familiar segue como fator decisivo no comportamento do crédito. Entre os lares com renda de até três salários mínimos, 84,7% estavam endividados. Nesse grupo, 38,3% tinham contas atrasadas e 17,6% afirmaram não conseguir quitar os débitos.
Nas famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento foi menor, chegando a 71,4%. A inadimplência nesse grupo ficou em 15,4%, enquanto 5% disseram não ter condições de pagar as contas vencidas.
Na comparação com maio, o maior avanço do endividamento ocorreu entre famílias com renda de três a cinco salários mínimos. Já os lares com ganhos entre cinco e dez salários mínimos registraram queda tanto no uso de crédito quanto nas contas em atraso.
A melhora em parte dos indicadores pode estar relacionada aos primeiros efeitos do Desenrola 2.0, ao aumento da renda média e ao maior controle da inflação. Ainda assim, a expectativa é de atenção para os próximos meses, diante da possibilidade de alta no endividamento e na inadimplência com o crescimento da procura por crédito e das despesas familiares.
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