Os Centros de Informação e Assistência Toxicológica registraram mais de 3.400 atendimentos em 2024 relacionados ao uso de produtos de limpeza doméstica no Brasil. Crianças de até quatro anos correspondem a cerca de 40% dos casos, parte deles associada a misturas caseiras divulgadas nas redes sociais.
As chamadas “misturinhas” envolvem produtos comuns, como água sanitária, vinagre, álcool, amônia, bicarbonato de sódio e ácido muriático. Em determinadas combinações, essas substâncias podem liberar gases tóxicos, principalmente em locais fechados ou com pouca circulação de ar, como banheiros e cozinhas.
Entre as misturas mais associadas a acidentes está a de água sanitária com álcool. A reação pode formar compostos tóxicos, incluindo clorofórmio, além de substâncias irritantes para as vias respiratórias. Também há risco de incêndio, já que o álcool é inflamável.
Outra combinação frequente é a de vinagre com bicarbonato de sódio. Apesar de ser popularizada como alternativa de limpeza, a reação resulta em neutralização química e liberação de dióxido de carbono, sem aumento real de eficiência. Em recipientes fechados, pode haver elevação de pressão.
A mistura de água sanitária com amônia é apontada como uma das mais perigosas. Ela libera cloraminas, gases irritantes que podem provocar tosse forte, dificuldade para respirar e, em ambientes fechados, risco de asfixia.
Também oferece risco a combinação de água sanitária com vinagre, que libera gás cloro. A substância é altamente tóxica e pode causar lesões nos olhos e nas vias respiratórias, mesmo quando liberada em pequenas quantidades.
O ácido muriático, quando misturado à água sanitária, também pode gerar grande volume de gás cloro. Em locais mal ventilados, a reação aumenta o risco de intoxicação grave e até de explosões.
Os primeiros sinais de intoxicação costumam incluir irritação nos olhos, no nariz e na garganta. Dependendo do nível de exposição, o quadro pode evoluir para broncoespasmo e edema pulmonar.
A orientação de prevenção é evitar qualquer mistura entre produtos de limpeza, ler os rótulos antes do uso, manter os ambientes ventilados e guardar as embalagens de forma adequada. Especialistas também apontam que a desinformação na internet contribui para acidentes evitáveis e reforçam a importância de ampliar o conhecimento da população sobre riscos químicos no ambiente doméstico.
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